FORMALISMO E RIGOR MATEMÁTICO

ARMA OU ARMADILHA

 

AUTOR: Odair Marcos Soares

 

            A matemática, assim como todas as áreas do conhecimento, utiliza-se de uma linguagem própria para a comunicação dos fatos inerentes ao seu campo de conhecimento. Esta linguagem muitas vezes utilizada excessivamente tem, em alguns casos, prejudicado a comunicação com pessoas que não tem um contato maior com a matemática.

 

            Contudo devemos lembrar que a linguagem matemática é uma maneira de termos uma comunicação padronizada mundialmente, o que é conseguido com maior sucesso na matemática que em outras áreas de conhecimento.

 

            A utilização de símbolos ajuda a tornar a texto mais compacto e simples para uma análise mais rápida. Para os alunos isso pode representar um entrave no processo de aprendizagem pois os símbolos desconhecidos são algumas vezes simplesmente desprezados, sem a preocupação de entender melhor o que cada símbolo quer dizer.

 

            Assim como não é muito comum um aluno consultar um dicionário quando em um texto aparece uma palavra pouco conhecida, da mesma forma a busca pelo significado de um símbolo matemático também é pouco comum. Parte da compreensão e da ampliação de vocabulário se dá consultando um dicionário, no entanto em matemática os símbolos são menos acessíveis, pois não é comum termos livros didáticos com listas de símbolos, do alfabeto grego ou ainda com um pequeno glossário de termos utilizados. Alguns livros colocam o significado do símbolo ao lado do texto na primeira vez que ele aparece depois desaparecendo com o significado daquele símbolo.

 

            Os livros didáticos ainda apresentam as demonstrações de maneira invertida, ou seja, partindo de um certo fato é encontrado um resultado e no texto é apresentada a volta desta observação. Isso dificulta ao aluno que esta tentando obter um auxílio no livro para as aulas, pois não mostra de forma clara como se chegou a este resultado.

            No cotidiano os problemas são resultados de fatos reais em que o aluno de uma forma geral tem um envolvimento muito maior seja de forma financeira, afetiva ou psicológica. Quando esses fatos são descritos em um livro didático ou num quadro negro o envolvimento não é imediato. A solução de um problema não faz um sentido real. São bem conhecidos os casos de jovens conseguem fazer cálculos complicados nos seu trabalho diário como vendedores ou na construção civil e não conseguem fazer cálculos muitas vezes mais simples dentro da sala de aula.

 

            A codificação de um certo sistema acaba por descontextualizo-lo pois é impossível descrever todas as variáveis envolvidas em qualquer fato real. A matemática geralmente tenta descrever através de símbolos e códigos os fatos mais representativos do fenômeno observado.

 

            A formação do professor de matemática tem contribuído em muito para esse excesso de formalismo e de rigor na linguagem e na utilização de símbolos. Algumas vezes prezamos por uma linguagem mais rebuscada e esquecemos que o destinatário do que escrevemos e falamos não possui o mesmo conhecimento do vocabulário e da simbologia empregada.

 

            Na sala de aula o professor tem um importante papel na decodificação dos símbolos vocábulos inerentes à matemática desenvolvendo no aluno     a idéia de que aquela simbologia só é conhecida com uma utilização continua.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

 

BALDINO, Roberto Ribeiro. “Ensino da Matemática ou Eduacação Matemática?”. Temas e Debates- SBEM – Ano IV – 1991 n° 3

 

CARVALHO, João Bosco Pitombeira de. “Idéias Fundamentais da Matemática”. Boletim GEPEM 26 – Ano XV – 1° semestre 1990.

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